São Paulo
Beleza que foge aos olhos
Só encontra quem a procura
Eis o mistério paulistano
Lá chove todo ano
Sem sequer molhar
O solo brasileiro
Tão pequeno
Para São Paulo
Bruna Coradini
sábado, 17 de novembro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Retalhos
Foi quando encontrei-me ao chão, cortando os retalhos das velhas roupas que caíam do armário. Tentava encontrar naquelas roupas algo lógico: a posição da agulha de quem as costurou, certamente, relacionava-se ao número de fibras do tecido. Nada encontrei, frustrei-me. Olhei ao meu redor, vi que estava sozinha. Apenas eu e os retalhos escarlates e perolados, que gritavam. E pode retalho gritar? De certo, a ausência de um amor ao menos verdadeiro fazia-me dar atenção à detalhes pequenos, quase invisíveis. Pensei por um segundo e eis aqui a tese deste texto: "O homem que não gosta da solidão, não gosta de si mesmo.". E nesse mesmo dia, Freud chorava.
domingo, 12 de agosto de 2012
Das Verdades
Não tenho amores
Nem poemas
Me desculpem
Já não choro
Já não sofro
Tenho vida pacata
Queriam beleza?
Só sinto inveja
E tenho pressa
Já vou tarde!
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Primeiras últimas letras
O que está acontecendo com o mundo?
Foi o eterno ou eu quem morri?
E o eterno pode morrer?
Eu posso não morrer?
E se eu for eterno, e não morrer?
E se eu morrer por ser eterno, e eterno até que me digam que vivo?
Sei lá, sei lá. Voltemos aos vernáculos.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Como diria Werther
É o amor que tudo reluz, um toca ou não toca,
não vejo saída. Já ceguei meus olhos, ja vedei minha boca. Só falta a minha
garganta, que fala tantas asneiras quando os ossos se separam. Os quero juntos,
ah! garganta, que aguenta minhas palavras, pois então aguente meu peso!
sábado, 21 de julho de 2012
Sinônimo de Amor
O quarto estava escuro, apenas dava para enxergar a luz da televisão, encharcada de roques clássicos, que iluminava o guarda-roupa e a cama. Os corpos no leito, um em cima do outro, uma sede inesgotável, lábios, lábios e olhos urgentes. O prazer jovem que urgia e recortava as gargantas e as cortavam e dois berros tristes. Era tudo uma confusão de cabelos, as unhas nas carnes, os lábios nos olhos, o cuspe na boca. O juntar, que mentira mal contada! Ela chorava enquanto ele lia: "O quarto estava escuro, apenas dava para enxergar a luz da televisão, encharcada de roques clássicos, que iluminava o guarda-roupa e a cama..." para outros ouvidos, outros beijos, outros lábios, outros olhos, outro escarro.
sábado, 26 de maio de 2012
Tudo Nesse Mundo É Poesia
Tudo nesse mundo é poesia
Até o nada, até o escuro e a maldade.
Tudo nesse mundo é verso
Descaso, desconexo, o inverso
Tudo nesse mundo é letra
A palavra proferida, a preferida, a prometida.
Tudo nesse mundo é poesia
Até você, que não a lê e a escreve sem saber.
Até o nada, até o escuro e a maldade.
Tudo nesse mundo é verso
Descaso, desconexo, o inverso
Tudo nesse mundo é letra
A palavra proferida, a preferida, a prometida.
Tudo nesse mundo é poesia
Até você, que não a lê e a escreve sem saber.
Oh, Deus, que me dera o dom da poesia
Se é boa ou não, não se discute
Pois que escrevo inteiramente e totalmente para mim
Não agrado, não iludo, não convenço.
Penso que nem tudo nesse mundo é poesia
A começar pelo amor, que chora todo dia
Enquanto a poesia sorri e morre nos olhos.
Se é boa ou não, não se discute
Pois que escrevo inteiramente e totalmente para mim
Não agrado, não iludo, não convenço.
Penso que nem tudo nesse mundo é poesia
A começar pelo amor, que chora todo dia
Enquanto a poesia sorri e morre nos olhos.
Eu que não escrevo pra mudar o mundo
Ousadia seria tentar
Escrevo por amar, amar
O ofício de não pensar
Porque falta de memória é poético:
É pensar, sem pensar em pensar, já pensando.
Obrigada, poesia, eu te encontrei!
Já insisti em rimas
Em sonetos
Alexandrinos, nem hei de tentar
É dessa forma errante, intercalada
Que grafo, escarro, tiro sarro
Da poesia enlatada das massas
O que é então a alegria?
Eu a fitar, digo e depois pensaria:
Dedico minha vida inteiramente à poesia!
Ousadia seria tentar
Escrevo por amar, amar
O ofício de não pensar
Porque falta de memória é poético:
É pensar, sem pensar em pensar, já pensando.
Obrigada, poesia, eu te encontrei!
Já insisti em rimas
Em sonetos
Alexandrinos, nem hei de tentar
É dessa forma errante, intercalada
Que grafo, escarro, tiro sarro
Da poesia enlatada das massas
O que é então a alegria?
Eu a fitar, digo e depois pensaria:
Dedico minha vida inteiramente à poesia!
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